Ontem resolvi assistir o filme A Malvada com Bette Davis. Tinha uma noção diferente do que seria o filme. Sempre acostumada com suas maldades, tive uma surpresa a encontrar na verdade, uma mulher Margo Channing (Bette Davis) no papel de uma atriz famosa e talentosa, que se vê, a partir do reflexo do outro (uma jovem de aproximadamente 20 anos) se questionando sobre ter 40 anos e ser uma mulher que até então não priorizou o casamento (todo o sonho de uma mulher situada nos anos 50 - representação social do imaginário coletivo).
A maldade que permeia todo o enredo, na verdade trás como pano de fundo, não apenas a questão da maldade em si, manifestada e planejada passo a passo pela personagem Eve Harrington (Anne Baxter) que, para buscar seu sonho idealiza todo um cenário que a favorece. Isso de fato mostra como a mulher pode ser ardilosa.
Buscando a questão do imaginário, a personagem Eve Harrington (Anne Baxter) apresenta a conduta do sonho acordado (razão) - que não faz transferência da subjetivação do sonho quando estamos dormindo -, mostrando como a mente humana pode articular situações que podem favorecer a projeção do sonho em ação.
Situações paralelas são subjetivamente expostas, como a mulher que trai o marido ( fico imaginando isso nos anos 50) e que é ameaçada e posta em confronto. É perceptível como os diálogos são profundos para a época e memoráveis.
Ao meu ver, a maldade em si, é apresentada para transpor questões bem difíceis de serem tratadas na época e ainda hoje, que relacionam indivíduos em busca de seus desejos. Se analisarmos cada uma das mulheres que circulam a trama, veremos que cada qual manifesta sua irresistibilidade a partir de seu campo referencial, o que mostra o quanto somos multiplas e diferentes.

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